Túmulo de ex-presidente da ditadura é vandalizado no Rio; entenda
Eu estava no meio de mais um domingo comum, rolando o feed, quando me deparei com a notícia: o túmulo de um ex-presidente da ditadura foi pichado no Rio. E, como sempre, a história veio cheia de camadas.
O que aconteceu
O túmulo do ex-presidente Emílio Garrastazu Médici foi vandalizado com pichações no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona Sul do Rio. A frase "Ditadura nunca mais" foi constatada por Samantha Lobo, idealizadora do projeto Necrotour RJ, durante uma visita técnica ao local.
Lobo estima que a pichação tenha sido feita na véspera, no sábado (8). Ela ressaltou que o ato foi isolado e não decorre de negligência da administração: o túmulo costuma ser bem conservado, com circulação constante de funcionários da RioPax, concessionária que gere o espaço e preferiu não se posicionar.
A resposta das autoridades
A reportagem buscou a PCERJ e a PMERJ. A PMERJ informou que não atendeu ocorrências no local e que "não realiza patrulhamento no interior de cemitérios". A PCERJ disse que "até o momento, não houve registro com essas características na delegacia da área". Ou seja, o caso segue sem investigação formal conhecida.
O que diz a lei
Vandalizar um túmulo não é só falta de respeito: é crime. Conforme o Artigo 210 do Código Penal, violar ou profanar sepultura é crime contra o respeito aos mortos. A pena prevista é reclusão de um a três anos, além de multa.
Quem foi Médici
Nascido em Bagé (RS) em 4 de dezembro de 1905, Médici foi general-de-exército e presidente do Brasil entre 1969 e 1974. Seu governo ficou marcado pelo "milagre brasileiro", com forte crescimento do PIB, mas também por censura, repressão e uso do AI-5. Ele morreu no Rio em 9 de outubro de 1985, aos 79 anos.
O papel do Necrotour RJ
O projeto independente, coordenado por Samantha Lobo, pedagoga e guia de turismo, promove visitas guiadas em cemitérios cariocas para destacar esses espaços como memória, arte e história. Foi justamente numa dessas visitas técnicas que o vandalismo apareceu.
No fim, fica a sensação de que até a memória precisa de segurança. E o robô insistiu que não entendeu: pichar um túmulo não apaga a história, só suja a pedra.
Perguntas Frequentes
Quem pichou o túmulo de Médici?
Até o momento, não houve registro do caso na delegacia da área, segundo a PCERJ. A autoria segue desconhecida.
O que acontece com quem vandaliza um túmulo?
A pena prevista no Artigo 210 do Código Penal é reclusão de um a três anos, além de multa.
O cemitério é responsável pela segurança?
A idealizadora do Necrotour RJ afirmou que o túmulo é bem conservado e há circulação de funcionários da RioPax. A concessionária não se posicionou sobre o caso.
O que foi o AI-5?
Foi um ato institucional que deu poderes excepcionais ao governo durante a ditadura, citado no contexto da gestão de Médici.