Yara e Bananas Corrêa lançam projeto para descarbonizar banana
A Yara Brasil e o Grupo Bananas Corrêa iniciaram um projeto-piloto para reduzir a pegada de carbono da produção de bananas. A estratégia passa pelo uso de fertilizantes de menor intensidade de emissões. A iniciativa é apontada pelas empresas como a primeira voltada especificamente para a descarbonização da cultura sob a ótica da nutrição vegetal.
O projeto será implantado inicialmente em uma área de 30 hectares da Bananas Corrêa, equivalente a cerca de 2% dos 1.400 hectares cultivados pelo grupo. A expectativa é validar os resultados antes de expandir a tecnologia para as demais áreas da empresa.
O que muda na prática com os fertilizantes de amônia renovável
Segundo Francielle Bertotto, gerente de Sustentabilidade e Cadeia do Alimento da Yara Brasil, a iniciativa busca reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção agrícola sem comprometer a produtividade.
"É o primeiro projeto que temos conhecimento registrado para banana com foco em descarbonização olhando especificamente para a nutrição vegetal. O objetivo é mensurar os resultados e entender como essa redução de emissões pode agregar valor para toda a cadeia", afirmou.
A executiva explica que o projeto utiliza fertilizantes produzidos a partir de amônia renovável, matéria-prima obtida com fontes de energia renováveis e de menor intensidade de carbono. Embora a composição nutricional do fertilizante seja equivalente à dos produtos já utilizados pela empresa, a mudança reduz significativamente as emissões geradas durante sua fabricação.
Redução de até 60% na pegada de carbono da banana
De acordo com a Yara, a estimativa é de uma redução de até 60% na pegada de carbono da banana quando comparada ao manejo convencional. O percentual ainda será validado durante o projeto, que também medirá a linha de base das emissões da fazenda.
Apesar da mudança na origem do fertilizante, a expectativa não é aumentar a produtividade da lavoura neste primeiro momento. Isso porque a Bananas Corrêa já trabalha com índices superiores à média da cultura graças ao manejo nutricional adotado.
"Em termos de entrega nutricional, o fertilizante oferece exatamente os mesmos nutrientes. Nossa expectativa é manter o desempenho agronômico e reduzir a pegada de carbono da produção", explicou Francielle.
Segundo a executiva, a empresa prefere validar tecnicamente e economicamente o projeto antes de ampliar sua adoção.
Por que o varejo está de olho na descarbonização da banana
Para o Grupo Bananas Corrêa, a iniciativa também atende a uma demanda crescente das redes varejistas por produtos com menor impacto ambiental.
De acordo com Eduardo Corrêa, diretor de Desenvolvimento e Negócios do Grupo Bananas Corrêa, a sustentabilidade faz parte da cultura da empresa há décadas.
"Nosso avô já falava sobre produzir respeitando a terra e o meio ambiente. Essa proposta da Yara veio ao encontro dos nossos princípios e representa um passo importante para deixar um legado na forma de produzir alimentos", disse.
Segundo ele, a empresa já apresentou o projeto a grandes redes varejistas, como Carrefour, GPA e Assaí, que acompanham iniciativas voltadas à redução das emissões em suas cadeias de fornecimento.
"O grande ganho é conseguir produzir com menor impacto ambiental sem abrir mão da produtividade. Isso fortalece nossa relação com clientes e consumidores e reforça nosso propósito de produção sustentável", afirmou.
Projeto pode servir de referência para outras cadeias agrícolas
A Yara avalia que a iniciativa poderá servir de referência para outras cadeias agrícolas. A empresa já desenvolve projetos semelhantes em culturas como café e batata e adota a estratégia de iniciar com áreas-piloto antes da expansão comercial.
Segundo Francielle, o avanço da agenda climática no varejo também impulsiona esse movimento.
"Os varejistas têm metas de redução de emissões e precisam desenvolver ações junto aos fornecedores. Projetos como este ajudam a construir uma cadeia de alimentos mais sustentável, agregando valor para produtores, indústria, varejo e consumidores", afirmou.
A expectativa é que, após a conclusão da fase de validação, a tecnologia possa ser expandida para toda a área cultivada pelo Grupo Bananas Corrêa e, futuramente, para outros produtores de banana no país.
O que esperar da expansão do projeto
O projeto-piloto em 30 hectares é apenas o começo. A validação técnica e econômica vai definir o ritmo de expansão. A Yara já tem histórico de levar soluções de nutrição vegetal para outras culturas, como café e batata, sempre começando por áreas menores antes de escalar.
Para o produtor, a mensagem central é clara: é possível reduzir emissões sem abrir mão da produtividade. Para o varejo, a banana com menor pegada de carbono pode se tornar um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais atento às metas climáticas.
Perguntas Frequentes
O que é o projeto da Yara com Bananas Corrêa?
É um projeto-piloto para reduzir a pegada de carbono da produção de bananas usando fertilizantes de menor intensidade de emissões, produzidos a partir de amônia renovável.
Qual a área inicial do projeto?
O projeto começa em 30 hectares, cerca de 2% dos 1.400 hectares cultivados pelo Grupo Bananas Corrêa.
Qual a redução estimada na pegada de carbono?
A estimativa da Yara é de até 60% de redução na pegada de carbono da banana, comparada ao manejo convencional. O percentual ainda será validado.
O projeto afeta a produtividade?
Não. A expectativa é manter o desempenho agronômico, já que o fertilizante tem a mesma composição nutricional, apenas com menor emissão na fabricação.
Quais redes varejistas foram apresentadas ao projeto?
O Grupo Bananas Corrêa apresentou o projeto a grandes redes como Carrefour, GPA e Assaí.
Quando a tecnologia será expandida?
Após a validação técnica e econômica, a tecnologia pode ser expandida para toda a área cultivada e, futuramente, para outros produtores de banana no país.